segunda-feira, 6 de junho de 2011

RESENHA UM DICURSO DOS MÉTODOS

IDE, Pascal. “A arte de pensar.” Tradução de Paulo Neves. 2. ed., São
Paulo:Martins Fontes, 2000.
Resenha da introdução da obra de Pascal Ide (2000), “Um discurso dos
Métodos.”
O autor nos apresenta uma obra sobre as Leis do Pensamento, fazendo um
contraponto com a obra “O Discurso do Método” de René Descartes (1637),
onde este afirma que a ciência é sinônimo de método matemático e que a
certeza da razão rima com quantificação e axiomatização.
A proposta é apresentar as quatro leis do pensamento de uma maneira que
respeite melhor a vida, tão rica e tão complexa da inteligência, com o propósito
de aprofundar a terceira lei.
A primeira lei dá a dimensão da inteligência e cabe para todo conhecimento
animal (animal, humano ou outro). A segunda lei dá a dinâmica geral
característica do progresso da inteligência humana. A quarta lei dá à
inteligência sua largura, e a terceira lei, que será aprofundada por Pascal Ide,
aponta a profundidade e situa o espírito humano no tempo.
Através de exemplos, o autor diz: “A inteligência apóia-se num conhecimento
do qual ela tem certeza.” Ou seja, a inteligência vai do conhecido ao
desconhecido, na primeira lei.
Na segunda lei, “o que para nós é primeiramente manifesto e claro são os
conjuntos mais misturados, é só depois dessa indistinção, os elementos e os
princípios se destacam por meio de análise”, ou seja, se no início avistamos
apenas uma multidão, através de análise cuidadosa chegamos a identificação
de uma única pessoa, por exemplo. O espírito parte do mais universal ao
menos universal.
A inteligência não descobre de imediato a natureza das realidades, detém-se
primeiro no que é mais superficial e no que se manifesta. Para Descartes, em
matemática, todas as concepções da inteligência têm o mesmo grau de clareza
e de distinção.
Na terceira lei, a intuição, o juízo e o raciocínio são as manifestações da
inteligência. Através do pensar chegamos às definições e demonstrações que
são operações realizadas pela inteligência.
O juízo enuncia a verdade, através do raciocínio que chega à perfeição ou
realidade.
Conforme Jean-Paul Sartre, “não há outro conhecimento que não o intuitivo.” O
conhecimento intelectual tem sua raiz nos sentidos, por isso, encontramos no
homem o binômio inteligência-ração.
Na quarta lei, a inteligência adapta seu método ao objeto que ela estuda. Se a
inteligência está a serviço do verdadeiro, portanto da compreensão do real,
seus meios de investigações devem procurar ser tão ricos e variados quanto à
realidade. Para Descartes o caminho para chegar à verdade é somente a
Matemática, com a uniformização dos métodos, isso foi considerado um
desvio, porque se a inteligência está a serviço do verdadeiro, da compreensão
do real, seus meios de investigação devem procurar ser tão ricos e variados
quanto a realidade, por exemplo, o uso das terapias como alternativa de
tratamentos.
A lógica é um instrumento que diz que a inteligência parte de situações
concretas nas quais nosso espírito se exerce em dois sentidos informativos, a
visão (ler e escrever), e a audição (escutar, dizer e formular).
Com essas considerações, suposta e inicialmente difíceis de entender, Ide
Pascal decorre sobre as leis do pensamento, como sendo um novo discurso do
método, ou mais exatamente, um discurso dos métodos. Onde baseado em
Aristóteles, a arte de pensar deixa de ser matemática e passa a ser intelectual,
baseada nos sentidos e na intuição. Com comparações, exemplos e silogismos
o autor descreve as leis do pensamento, sem comprovações, apenas
descrevendo como funciona a inteligência humana, sempre partindo do geral
para o particular, através do raciocínio chegamos ao juízo ou a verdade final.

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